Ser Mulher, Ser Negra | #BEDA3

quarta-feira, agosto 03, 2016

Mulher, qual é o seu lugar? Qual é a sua história? Onde você se reconhece?
Vem refletir comigo. E pensar como é o seu dia a dia.
Eu sou Amanda dos Santos Francisco, mulher, negra e estudante de jornalismo. Imagine que estamos lado a lado em uma linha, lado a lado na rua. Mas a partir de agora você vai dar um passo a frente caso as frases que você vai ler a seguir sejam verdadeiras.


  • Sou aceita dentro dos padrões de beleza de uma sociedade capitalista que consome imagem;
  • Dentro dessa sociedade sempre houve produtos que pensassem na minha cor de pele;
  • Me sinto representada quando há uma mulher na revista, no comercial, na política, na “alta sociedade”;
  • Posso ter qualquer tipo de relacionamento (aberto, fechado, interracial);
  • Há muitas mulheres da minha cor na universidade;
  • Não sou confundida com a faxineira;
  • Não sou vista como objeto sexual;


Se você é mulher de cor branca, você deu muitos passos a frente e eu mulher negra fiquei atrás. Essa dinâmica é desenvolvida para mostrar os privilégios que na maioria das vezes quem os possui não percebe.


Quem é você? Nós mulheres feministas estamos lutando contra uma sociedade que nos diminui perante os homens. Em pleno século 21 ainda fazemos os mesmos trabalhos e ganhamos menos, somos agredidas psicológicamente, somos assediadas, morremos lentamente, mas somos muitas e somos diversas.


Diferente de outros movimentos como a luta LGBTT e a luta pela preservação dos índios de forma digna, não somos minorias. Somos 51% da população mundial. E não ocupamos nem 10%  dos espaços que deveriam nos representar, nos limitam. Você pode andar na rua? Com qual roupa você vai? Você vai sozinha? Você votou em quem?

Empoderamento
Imagem retirada do Instagram @negadelua
A nossa voz é calada a muito tempo e o atraso na luta pelos nossos direitos é grande, não dá mais para esperar darem voz ou espaço a nós. Não dá para esperar porque é nosso por direito e pronto. Não se dá o que não é seu. Se respeita. Somos nós mulheres que parimos esse mundo. E temos que conversar sobre como esse mundo nos trata. Olhar uma no olho da outra. E ter o mínimo compreensão de que não tá fácil ser mulher nesse mundo. Sentimento esse que não é apenas compreensão, se chama também de sororidade ou empatia. (Se envolve no movimento mulher! )


Mas compreender a outra e seguir junta na luta não significa que somos iguais, não significa que temos as mesmas necessidades, a mesma cultura...  Como eu me apresentei no início, sou Amanda, sou Negra, e quando eu saio na rua coisas diferentes acontecem comigo que não acontecem com a mulher branca.


Não entende?


Se a roupa da mulher branca é justa ou curta ela é chamada de periguete, patricinha…
Eu sou confundida com prostituta.
Se eu saio com uma criança branca, sou confundida com a babá.


Com certeza eu sei sambar, porque toda preta deve saber (irônia).


Os gringos veem em mim um parque de diversões, os alemãs me olham com um desejo que me dá arrepios.


Se comento que tenho namorado logo imaginam o esteriótipo de um jogador de basquete e se o conhecem e ele não é o dito “negão” se decepcionam, acham que não “combinamos”. Porque há uma regra contraditória em que negras devem namorar só com negros, porém negros podem e devem se casar com brancas (para clarear a família). Porque homens, ainda que negros, podem decidir com quem se relacionar e ter uma certa “ascensão” social e o mínimo de liberdade em suas escolhas por serem homens. Já mulheres negras limitem-se a se relacionarem com gente da sua cor, ainda que estes não te assumam e te impõem um certo “relacionamento aberto”.  Quero deixar esclarecido que em momento algum eu concordo com esse parágrafo, não gostaria que fosse assim nem por um segundo, mas os relatos das mulheres da minha família, das minhas amigas, das rodas de conversas e as cenas são essas e não são coincidências, é um ciclo o qual deve ser discutido, o qual deve ser quebrado.


Por esse e por outros motivos, você mulher branca, entenda, as nossas lutas são as mesmas e são outras também. Estão muitas vezes além de onde você pode enxergar. E é respeitoso calar, se necessário, para ouvir a vivência da outra, da mulher negra. Essa mulher que é menos reconhecida, menos respeitada, mas que sabe o seu valor e por isso estamos lutando por cada cabelo crespo, cada turbante, cada pedacinho da nossa origem.


Não é questão de estar na moda, não é questão apenas de estética, é questão de sempre terem nos oferecido as maquiagens das brancas, as bonecas brancas, as roupas que ficam melhores nas brancas e tudo isso pesou muito na construção da nossa auto estima e da nossa libertação.


Mas será proibido você, mulher branca, colocar dreads, turbantes, acessórios com uma temática africana…? Eu, Amanda, acredito que é “proibido, proibir”, afinal lutamos pela nossa liberdade. Porém, sempre cabe questionar, o que lhe cabe? Quanto lhe cabe e o que significa para você?



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Nos conte o que você achou do post, adoramos receber elogios, críticas construtivas e sugestões de temas.